sábado, 22 de janeiro de 2011

Marx e a picaretagem iluminada

Escrito por Ipojuca Pontes

Movimento Endireitar

Com o materialismo histórico a tiracolo, Marx se propunha não só a exercer alguma influência sobre os destinos do mundo, mas transformá-lo - o que em sua linguagem revolucionária significava, antes, destruí-lo. Desse modo, tal como partiu anteriormente para liquidar com a filosofia, Marx atirou-se contra o mundo da economia burguesa, com ênfase na demolição da propriedade privada e do sistema capitalista de produção.

Mas, para atuar na esfera diretamente política, o passo que deu a seguir - ou paralelamente - foi o de se instrumentalizar nas palavras de ordem do ideário político dos reformistas sociais franceses e, com mais empenho, nas cantilenas igualitaristas de Rousseau, Saint-Simon, Fourier e Proudhon.

Foram muitas as idealizações dos reformistas sociais franceses do século 18 e 19, mas pelo menos duas delas ganham destaque e unem todos eles, a saber: 1) a predominância da igualdade completa entre os homens, e 2) a construção de uma sociedade modelar justa e livre. Pode-se dizer, a bem da verdade, que na Grécia antiga Platão já propunha algo semelhante na sua "República" (Nova Cultural, São Paulo, 1997). Mas, no mundo moderno, foi só com a luminosidade de "O Contrato Social" (Ediouro, Rio, 1977), de Rousseau, escrito em 1792, que o projeto ganhou sua formulação detalhada. É sabido que Marx, enquanto leitor e teórico, estimava o apelo dessas idéias e que frequentemente recorria a todas elas, em especial às projeções de Rousseau, Saint-Simon e Fourier, embora os enquadrasse na categoria de "socialistas utópicos" - o que, dependendo das circunstâncias, poderia ser entendido como um elogio ou esculacho.

O "Contrato Social" de Rousseau é um somatório de regras administrativas para se chegar à sociedade civil perfeita. Com ele, o pensador iluminista pretende transformar a sociedade existente, considerada injusta, numa nova sociedade perfeitamente igualitária composta por "homens novos". Para construir a sociedade ideal, julga necessário de início que se ame as leis criadas a partir de uma vontade coletiva; estas, por sua vez, coordenadas por elite política sábia, a quem todos se obrigam a obedecer por contrato.

Na nova sociedade projetada por Rousseau, o Estado deve controlar todos os aspectos da vida social e econômica dos seus integrantes, pois acredita plenamente que "A virtude é produto do bom governo e os vícios são muito mais decorrentes de mau governo que próprio dos homens", pois, "os homens são seres sociais por natureza e, na sua unidade, bem conduzidos, serão bons, serão felizes, e essa felicidade fará a felicidade da República". (De passagem, aqui convém esquecer que o "Contrato" de Rousseau foi a bíblia que orientou Robespierre na condução do "bom governo" da Revolução Francesa de 1789, quando nele instalou o regime fraterno do terror).

Já Saint-Simon, em "O Organizador", escrito em 1819, e Fourier, na sua "Teoria dos Quatro Movimentos e dos Destinos Gerais", de 1808, seduzem Marx porque ambos vislumbram de modo bastante imaginoso a criação de sociedades igualitárias. Saint-Simon esboça, preliminarmente e no plano teórico, um entendimento "dialético" da filosofia da história, ao detectar que "no momento em que o sistema feudal e teológico foi definitivamente organizado, já os elementos de um novo sistema social começam a se formar". Nesse novo sistema social a ser formado, a resultante seria a aparição de uma sociedade em que não haveria a exploração do homem pelo homem e em que seriam eliminados, de um só golpe, o clero, a nobreza e os militares. Um conselho composto por sábios e artistas governaria a sociedade igualitária de Saint-Simon e, sob o amparo do saber, "a humanidade viveria feliz".

Já no mítico "Falanstério" de Fourier, não concretizado pela ausência de um capitalista para financiá-lo, há uma acentuada preocupação com a vida sexual dos seus habitantes, que em muito seduziu o ideólogo alemão. Nele, formando uma nova ordem "societária", homens e mulheres trabalhariam em comunidades e fazendas coletivas. A divisão das riquezas estaria subordinada à quantidade e à qualidade de trabalho de cada um - achado que Marx considerou brilhante e logo dele se apropriou. Mas, para Fourier, o ponto principal seria, antes de pensar na criação do "homem novo", estimular a proliferação do "casal progressivo", entendendo-se por essa prática a relação amorosa livre do "vínculo conjugal fixo", a contestar "o sistema opressivo dos amores" vigente na sociedade burguesa.

Mas foi paradoxalmente no anarquista Proudhon - tanto o teórico socialista voltado para a crítica da economia quanto no ativista e organizador político - que Marx encontrou respaldo para suas formulações teóricas. Proudhon não era, simplesmente, um fabricante de sonhos ou um idealizador de sociedades fantásticas. Autodidata, filho de um tanoeiro, tem nas suas projeções críticas, dentro do contexto socialista, o senso possível da realidade. Embora considerado um dos fundadores da sociologia (uma fábrica de fumaça que chama de ciência social), ele desempenhou, de fato, papel importante na organização de associações e movimentos operários franceses, sendo reconhecida sua atuação na revolução de 1848 (quando foi eleito por operários membro da Assembléia Constituinte), além da influência, depois de morto, por força de suas idéias e ação dos seguidores, na Comuna de Paris de 1871 - desempenho este, por motivos óbvios, sonegado perversamente por Marx nas reportagens que formam "As Lutas de Classes na França" e "Guerra Civil na França" (ambos da Global, São Paulo, 1986).

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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O Feminismo Radical

Leiam esse excelente comentário sobre o feminismo radical. Foi o melhor texto que eu já li sobre esse assunto. É um email da Psicóloga Cintia Fulador endereçado à jornalista Inês de Castro da BANDNEWS. Vale à pena conferir.

O texto original vem do blog "Primeiro Sexo" do Professor Sócrates Nolasco. Irei colocar só um trecho e, vocês leiam o resto no link abaixo.

TEXTO DE CINTIA FULADOR.


Prezada Inês de Castro,


Ouvi hoje, 08.04.09, seu comentário no "Por dentro do Espelho", aí na Band News FM.


Nele você fala sobre a ignorância de alguns jovens alemães que acham que o muro de Berlim não deveria ter caído, pois o comunismo era muito melhor, que o comunismo é um ideal, etc. E, concordo com você, as coisas não são bem assim...


Logo após, você fala das meninas mais novas que atacam o feminismo e detestam as feministas, pois segundo elas as mudanças que houveram não são legais, etc, etc.... e então você diz que elas precisam ler mais, ter conhecimento, assim como os jovens alemães.


Agora, neste ponto discordo de você. Talvez vc esteja mal informada sobre o Feminismo, sobre o que é, e qual sua finalidade!


Está patente (e só não vê quem não quer), que o Feminismo, em pouquíssimo tempo, conseguiu implodir uma instituição sagrada e maravilhosa, que durou cerca de 5.000 anos: a família!!! Nesse ponto, estou de acordo com essas meninas "novas": o Feminismo é uma doença insana e radical!


Lógico que concordo que tivemos vários benefícios, como, direito ao voto, entrada no mercado de trabalho, direitos e deveres iguais, etc, etc, etc. Porém, a igualdade de direitos e de deveres simplesmente ficou para trás. À custa de um discurso político agressivo, hipócrita, e maquiavélico, nós mulheres estamos hoje muito melhor que os homens! E não me venha com aquele "discursinho" ridículo que mulher ainda ganha menos!!! Olhe ao seu redor e verás como o homem acabou sendo aniquilado!


No campo político jurídico, temos muito mais direitos e privilégios que os homens: isenção do serviço militar, aposentadoria com menos tempo de contribuição, aposentadoria com menos tempo de serviço, direito de aquisição exclusiva da propriedade imóvel nos programas habitacionais da CDHU, COHAB, e CEF, foro privilegiado nas ações judiciais de família, e agora a Lei Maria da Penha, que "arrebenta" com o homem em instantes. Essa lei, considerada como "a melhor lei já feita" (para as mulheres, é claro), é capaz de expulsar o marido de sua própria casa, em questão de horas, colocá-lo na cadeia por dias ou semanas, e determinar seu afastamento físico da companheira (como um verdadeiro animal), sob pena de imediato encarceramento! Tudo isso, mediante simples alegação da mulher, que, aos olhos da lei, é a grande e eterna vítima do animal monstruoso chamado homem! Por outro lado, se mulher quiser, pode espancar o marido até a morte, de todas as formas e maneira possíveis, porque a referida lei não se aplica a ela (e não me venha dizer que mulher não agride homem). Portanto, onde estão os direitos e deveres iguais????


No campo político institucional, somos alvos de centenas (para não dizer milhares) de políticas públicas e privadas, direcionadas especialmente para nosso desenvolvimento e bem estar! Temos milhares de hospitais da mulher, delegacias da mulher, dia da mulher, comitês da mulher, associações de defesa de mulheres, secretarias especiais de defesa das mulheres, programas de desenvolvimento profissional, além de uma hiper super mega exposição na mídia, sempre sob o prisma da valorização e do engrandecimento! Por outro lado, o que tem os homens? Nada, simplesmente nada. Basta ligar a TV, o rádio, a Internet, ou abrir o jornal ou as revistas semanais, para ver sempre o mesmo odioso discurso! Nele, a mulher é sempre associada a atributos positivos (linda, forte, sensível, dedicada, corajosa, batalhadora, justa, mediadora, harmoniosa, conciliadora, bem sucedida, correta, etc): enfim, a esperança de uma sociedade justa e harmônica! Por outro lado, o homem é sempre associado a atributos negativos (bruto, tosco, violento, chulo, sujo, beberrão, briguento, tarado, desequilibrado, etc): enfim, o excremento da sociedade! Ora, isso é igualdade de direitos e deveres? Isso é igualdade de tratamento, conferida pela mídia???


No campo educacional e profissional então, aqui em São Paulo a coisa já desequilibrou há muito tempo!! Nas universidade, somos quase 75%. Nas empresas, somos 60%! Nos cargos de comando (supervisão, chefia, gerência), somos 70%! Na advocacia, somos maioria! No sistema judiciário, somos maioria! Na medicina, somos maioria! Em todas as boas profissões, somos maioria (dados que pesquisei em revistas das entidades de classe e outras fontes). Aposto que aí na redação da Band News não é diferente: SOMOS MAIORIA! Outro dia mesmo (há uns 2 anos atrás), o diretor de jornalismo da Bandnews, André Luiz Costa, disse todo orgulhoso que a redação da Band News era composta por 80% de mulheres!! Pobre coitado! Não percebeu que, logo, logo, será trocado por uma linda e talentosa jornalista, e que, em questão de poucos anos, o staff da Band será 100% feminino!


E ainda tem feminista dizendo que a mulher ganha menos (aiii, coitadinha)!!! Menos onde?? Aponte-me uma única mulher, aqui em São Paulo (pois é aqui que vivemos), que trabalhe na mesma empresa, na mesma função, e pelo mesmo período de tempo, que ganhe menos que um homem!!! Aponte-me!!! As feministas, imbuídas de um ódio incontrolável pelo sexo masculino, simplesmente deturpam os dados estatísticos: comparam o salário da diretora que acabou de assumir o cargo, com o do diretor que está no cargo há trinta anos! Ou então, comparam os salários de empregados que ocupam funções diversas, em períodos diversos! Ou então, pior ainda, comparam dados estatísticos do Acre e de Rondônia, citando-os como se fossem aqui! Já vi feministas apontarem dados estatísticos da Arábia Saudita, como motivo para a busca insana de mais direitos, mais privilégios, mais benefícios, mais direitos, mais privilégios, mais benefícios, mais direitos, mais privilégios, mais benefícios!!!!


E os homens, como estão? Quem os defende? Eu, particularmente, não conheço ninguém que os defenda! Não há pesquisas sérias sobre a derrocada do homem, mas, há sinais evidentes de sua decadência e queda! São apenas 25% dos universitários aqui em nosso Estado, o que equivale a dizer que, em alguns anos, estarão fadados a empregos brutos, sujos e mal remunerados! São as maiores vítimas da violência urbana: quase 90%! São a esmagadora maioria dos mendigos e indigentes: mais de 90% (olhe nas ruas e verás)! São a maioria dos desempregados aqui em São Paulo! Aliás, dados oficiais nos dizem que as mulheres já são maioria entre os "chefes de família". Mas, omitem que as famílias sustentadas por mulheres são, na sua grande maioria, mãe e filhos, sem a figura paterna. Figura paterna que, na maioria das vezes, é simplesmente expulso de casa, como um animal fétido e asqueroso.


Como disse mais acima, acho que vc está mal informada sobre o Feminismo: deveria consultar fontes fidedignas e imparciais, e não fontes políticas. O feminismo não é nenhum pensamento filosófico positivista, como amiúde é pregado pela mídia. Nem tampouco um movimento que busca a igualdade entre os sexos. O Feminismo é uma ideologia política radical, que busca a eliminação do homem de todas as esferas de poder (político, social, e econômico), que prega o ódio contra o sexo masculino, e que se vale do famigerado e ridículo "discurso de vítima" para alcançar seus objetivos! Através de agressivo e incessante movimento político, conseguiu que a situação se invertesse: hoje, discriminado é o homem! Infelizmente, pouca gente percebeu isso! E não me venha dizer que isso é fantasioso ou irreal, pois, há lastro científico para o que estou dizendo. Acho que vc precisa ler Sócrates Nolasco, Norah Vincent, Robert Bly, Laura Schlessinger, Christina Hoff Sommers, e Warren Farrel! Aliás, porque vc não chama o Professor Sócrates Nolasco ao seu programa, para ver o que ele acha do Feminismo??

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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Segundo a "Gazzetta dello Sport", Ronaldinho Gaúcho jogará pelo Grêmio

O site italiano de esporte, Gazzetta dello Sport, afirma que Ronaldinho Gaúcho acabou de aceitar a proposta do Grêmio e, será oficializado como o novo reforço do Tricolor Porto-alegrense para 2011.

A notícia é verdadeira? Sinceramente eu não sei. Mas, tudo indica que sim. O "Gazzetta dello Sport" mais acerta do que erra nessas notícias em "primeira mão". É esperar para ver o que vai acontecer com o Ronaldinho Gaúcho.

Leia a matéria abaixo:

Ronaldinho ha scelto Sì all'offerta del Gremio

"Ronaldinho ha scelto: il sì alla proposta del Gremio è stato formalizzato pochi minuti fa. Nelle prossime ore è atteso l'annuncio ufficiale che aprirà la nuova era della carriera del Gaucho. In Brasile."

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Recomendo o Blog do Lauro Tentardini que, também escreve sobre esse assunto.

OS PRÓDOMOS DA REVOLUÇÃO OBÂMICA

Por HEITOR DE PAOLA

Heitor de Paola

TEXTO IMPORTANTÍSSIMO

A revolução obâmica não é um fenômeno isolado que ocorreu nos EUA de forma súbita. É o coroamento de ações que remontam às primeiras década do século passado, e que despontaram começando na formação de uma mentalidade revolucionária nos estudantes universitários do pós-guerra. Em 1962 Tom Hayden da Universidade de Michigan, que veio a ser Senador pelo Partido Democrata, amigo de John Kerry e um dos maridos de Jane Fonda, lança o Port Huron Statement e funda a Students for a Democratic Society (SDS). No entanto, o terreno já fora preparado pelo Komintern através das ações de Willi Müzemberg com a intelectualidade americana no período entre guerras. Como já abordei estes assuntos nas minhas séries A América Dividida e O Suicídio da Águia e com mais detalhes no livro O Eixo do Mal Latino-Americano e a Nova Ordem Mundial refiro meus leitores a eles. Não obstante, é preciso abordar rapidamente, como é possível num artigo como este as ocorrências na arena política, principalmente as violações constitucionais ocorridas nas Administrações Democratas.



A PRIMEIRA VIOLAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO: ROOSEVELT, O NEW DEAL E PEARL HARBOR


A crise econômica dos anos 20/30, provocada por Wall Street e pela existência do Federal Reserve, levou o povo americano a eleger quatro vezes seguidas um populista de esquerda, simpático ao comunismo soviético, como se fosse a única esperança de salvação. Roosevelt anunciando que ‘tudo o que devemos temer é o próprio medo’ pôs em prática a liquidação do liberalismo econômico que imperara por quase dois séculos na nação. E o fez de forma totalmente inconstitucional ao anular os fundamentos do Bill of Rights – as dez primeiras Emendas à Constituição – destruindo a liberdade econômica, estatizando setores vitais da economia e concedendo a si mesmo poderes como nenhum de seus antecessores tivera, salvo Lincoln temporariamente durante a Guerra Civil. A economia parecia se recuperar, mas afundava em seus fundamentos e só a entrada na Guerra contra o Eixo acarretando uma acelerada industrialização, impediu o colapso. Hoje se sabe que Roosevelt provavelmente tinha conhecimento da ameaça japonesa a Pearl Harbor e nada fez, pois interessava convencer a população americana, totalmente avessa a entrar em guerra. As razões para esta atitude estão longe de qualquer idealismo antifascista. Obedeceram às demandas de Stalin, que Roosevelt chamava Uncle Joe, para a salvação da União Soviética ameaçada de total e completa destruição. Em 22 de junho de 1941 Hitler rompia o Pacto Molotov-Ribbentropp e lançava a Operação Barbarossa invadindo a URSS. O Pacto, assinado em 23 de agosto de 1939 tinha sido uma idéia genial de Stalin – dividia a Polônia e ainda salvava o Exército Vermelho da destruição, pois este estava sem Comandantes, assassinados nos Julgamentos de Moscou. O ataque japonês se deu pouco mais de cinco meses depois da invasão alemã e a declaração de guerra pelos EUA fortalecia a Frente Ocidental, praticamente salvando a URSS, para onde Rossevelt mandou quantidades imensas de material bélico de primeira. Roosevelt já havia nomeado para o Departamento de Estado reconhecidos comunistas e agentes do NKVD (futuramente KGB), indicados pelo Council on Foreign Relations, incluindo Alger Hiss que será abordado no próximo artigo.



A SUBMISSÃO À ONU NA CORÉIA


Once war is forced upon us, there is no other alternative than to apply every available means to bring it to a swift end. War's very object is victory, not prolonged indecision. In war there is no substitute for victory."


DOUGLAS MacARTHUR


A primeira vez que uma decisão bélica foi submetida e aprovada pela ONU foi a da Coréia. Com o Armistício EUA e URSS assinaram um acordo em que a Península Coreana, libertada dos japoneses, seria dividida no Paralelo 38 em duas diferentes nações. Em 1950 a do Norte, instigada pela China, comunista desde o ano anterior, invadiu o Sul e o Conselho de Segurança autorizou uma força para auxiliar a do Sul. A URSS não teve chance de exercer seu direito de veto porque estava boicotando as reuniões do Conselho. MacArthur, o mais condecorado de todos os Generais americanos e Comandante das tropas americanas no Pacífico durante a II Guerra, foi escolhido para Comandante-em-chefe. As tropas aliadas poderiam facilmente ganhar a guerra liquidando com a ditadura comunista no Norte, mas a ONU, onde a URSS voltou a exercer seu poder de veto, determinou a cessação das hostilidades quando a vitória estava ao alcance. MacArthur insistiu em continuar a ofensiva, com apoio do Estado Maior Conjunto, mas Truman ordenou a obediência à ONU. MacArthur foi dispensado de suas funções. Ao retornar aos EUA foi recebido como um herói pela população. O Chefe do Estado Maior que o demitiu, Omar Bradley, foi o mesmo que impediu outro herói, Patton, de prosseguir até Berlim na ofensiva final, cortando o combustível de seu Exército.


Importa aqui notar que, pela primeira vez os EUA abriam mão de suas decisões soberanas e se submetiam ao que hoje se chamaria ‘comunidade internacional’.


A SEGUNDA VIOLAÇÃO: KENNEDY, A ENTREGA DE CUBA E A ALIANÇA PARA O PROGRESSO


A primeira Administração Democrata do pós-guerra foi a de John Kennedy, outro populista ‘salvador da Pátria’. Verificando o estado deplorável das relações diplomáticas com a América Latina tentou fazer o que hoje Obama tenta no mundo: tornar os EUA mais ‘popular’ na região e impedir a maior penetração soviética através de um programa com o objetivo de promover o desenvolvimento econômico mediante a colaboração financeira e técnica em toda a América Latina: a Aliança para o Progresso. Iniciada em 1961 com grande estardalhaço morreu sem aviso fúnebre em 1970 depois do destino inevitável de todo programa falacioso e demagógico: o fracasso. Já em 1962, na crise dos mísseis soviéticos em Cuba, Kennedy entregou a ilha de mão beijada aos russos. Aceitou uma óbvia chantagem de Kruschev que ameaçava uma guerra nuclear – impossível para a URSS que tinha apenas 300 ogivas contra 5.000 americanas – e assinou um Pacto em que os EUA se comprometiam a jamais interferir na ilha. O resto é bem conhecido: percebendo a inépcia de Kennedy os governantes locais receberam as contribuições da Aliança e agradeceram com o incremento do esquerdismo, que só foi debelado pela pronta ação dos militares brasileiros, depois seguidos por outros.



JOHNSON, A TERCEIRA VIOLAÇÃO: ‘GRANDE SOCIEDADE’ - E A FARSA DO VIETNAM


A ‘Grande Sociedade’ era um conjunto de programas domésticos proposto com o objetivo de reforma social, eliminação da pobreza e das diferenças raciais. Tinha algo de parecido com o New Deal, mas diferia em muitos programas dedicados à educação, medicina social, reforma urbana e transportes. Enquanto aplicava estes programas internamente, Johnson aprofundou o envolvimento dos EUA no Sudeste asiático. O envolvimento na área começou com Kennedy atendendo aos pedidos de ajuda de Ngo Dihn Diem, Presidente autocrata e posteriormente ditador do Vietnam do Sul. O apelo era sedutor, pois Diem, como Kennedy, era católico e enfrentava uma incipiente guerrilha financiada pela URSS através do Vietnam do Norte e da oposição da maioria budista violentamente reprimida por seu governo. Centenas de milhares de americanos deram a vida, bilhões de dólares foram gastos para, impedidos pelo Congresso de maioria Democrata de usar todo o seu potencial, perder para um ridículo exército de descalços e famintos guerrilheiros e acabar fugindo vergonhosamente pelo teto da Embaixada. O Congresso em Washington, D.C. derrotou os EUA, não Ho Chi Min. Mais uma vez se aplica o discurso de MacArthur: podendo liquidar rapidamente com a guerra com um ataque maciço a Hanói, inclusive se necessário com ogivas nucleares táticas, prolongaram indefinidamente a guerra, transformando-a numa farsa! Lucraram os fabricantes de armamentos e os que internamente queriam desmoralizar as FFAA de seu país, cujo prestígio só foi recuperado vinte anos depois com Ronald Reagan.



CARTER E A TRAIÇÃO AOS ALIADOS: QUARTA VIOLAÇÃO CONSTITUCIONAL


Provavelmente o pior Presidente dos EUA – ao menos até Obama – Jimmy Carter violou a Constituição no que há de mais importante: foi o primeiro Presidente a, oficialmente, abandonar o Bill of Rights e implantar o conceito de ‘Direitos Humanos’ em lugar dos Direitos do Indivíduo. Em função disto, traiu todos os aliados dos EUA, submeteu-se aos inimigos e à ONU. As duas maiores traições foram contra o Xá do Irã e Anastácio Somoza da Nicarágua. Não se nega que eram regimes de força que precisavam evoluir para estado de direito, porém Carter abandonou-os totalmente, entregando o poder no Irã, aos Aiatolás, e na Nicarágua, aos Sandinistas. Nos dois casos e população saiu perdendo feio, até mesmo se considerarmos os perversos ‘direitos humanos’. E os americanos amargaram uma invasão de sua Embaixada até a posse de Reagan.



A CRISE MORAL DO PÓS-GUERRA E A RÁPIDA INDUSTRIALIZAÇÃO


Como este assunto será abordado em artigo específico faço aqui apenas uma menção introdutória. Modris Eksteins, em sua magistral obra sobre a I Guerra Mundial, Rites of Spring: The Great War and the Birh of Modern Age (Mariner /Peter Davidson Book, Houghton Mifflin Co.) [[i]], observou que a ida dos soldados para o front gerou uma modificação da moral, das artes e da intelectualidade. Antes, a moral individual (morals) e o moral da tropa (morale) coincidiam. A terrível experiência de uma guerra sem fim, a convivência diária com cadáveres e excrementos, as saudades de casa e a falta de sexo foi paulatinamente minando a moral. Homens casados, noivos ou namorados que foram para a guerra com a intenção de serem fiéis, foram perdendo toda noção de fidelidade, ao ponto de sacrificar-se a moral, em nome de manter o moral das tropas: a visita de e às prostitutas tornou-se um meio semi oficial de manter o último a custa da primeira. Com isto o idealismo que levou muitos ao combate foi também destruído. Ao mesmo tempo, as mulheres deixadas só e assumindo papéis masculinos na indústria de guerra, experimentaram uma autonomia que em muitos casos levou-as à perda de suas intenções iniciais de fidelidade. Tornaram-se freqüentes as cartas pedindo divórcio, ou pior: o soldado, ao retornar esperançoso, encontrava outro em seu lugar.



A industrialização forçada também levou a um crescimento da economia em grande escala. Marc Boasson, combatente francês, citado por Eksteins (PP 222-3) comentava profeticamente a ‘regressão moral e intelectual – nada está sendo criado, tudo destruído. A miséria que se seguirá à guerra trará uma prodigiosa industrialização, um crescimento da praticidade e do utilitarismo. Toda a atividade humana se voltará a finalidades práticas: a Renascença faliu. A fábrica alemã (German factory) absorverá o mundo: a perfeição técnica e as habilidades práticas encorajarão a ilusão’.


Pode-se dizer algo diferente a respeito do pós II Guerra? Até hoje estamos preocupados muito mais com crescimento econômico, eficiência e utilitarismo do que com princípios morais, éticos e culturais. Pior ainda que após 1919: hoje o detalhismo esotérico das estatísticas nos faz acreditar que um ‘crescimento’ de 4,9 com inflação de 5,2 é melhor do que um crescimento de 4,8 com inflação de 6,3! Pode? Pode, é assim que ‘vivemos’ hoje: na euforia do crescimento econômico, das novas descobertas tecnológicas e do ‘avanço’ nas estatísticas. Se um país passa do 54º para o 51º lugar alguma em estatística da ONU – fico pasmo de ver que tem gente que acredita nelas! - comemora-se como um grande sucesso. Descobertas no terreno da engenharia genética são aplaudidas e aceitas com grande estardalhaço criando, em nome da nobre medicina, monstros – camundongos que piam como pássarinhos é a última delas! Se alguém pergunta se será moral e ético fazer isto é olhado com desdém como se fosse de outro planeta. Em breve a ‘German factory’ substituirá o modo tradicional de reprodução animal – inclusive humana. Caminhamos a passos largos para o Brave New World!

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