terça-feira, 9 de novembro de 2010

GOVERNO ANA JÚLIA CAREPA: PARA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DAS FLORES

Por Ronaldo Brasiliense

Jornal O Paraense

De um modo geral, todos apontam a ação preferencial pela Democracia Socialista, a minúscula tendência petista liderada por Ana Júlia, pelo seu ex-marido Marcilio Monteiro, secretário de Projetos Estratégicos; pelo seu ex-cunhado Maurilio Monteiro, secretário de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia; pelo hoje deputado federal eleito Cláudio Puty, ex-chefe da Casa Civil, e, ainda, pelo consultor do estado Carlos Botelho como uma das causas do desgoverno que imperou na terrinha - como diria o saudoso colunista bragantino Edwaldo - Didi - Martins - nos últimos três anos, dez meses e oito dias.

O governo de "doutores" montado por Ana Júlia e sua thurma - que foi surrado nas urnas como nunca antes na história do Pará - incluiu ainda Fábio Castro na Secretaria de Comunicação, e Regina Lima na Funtelpa. Posteriormente, o jornalista Paulo Roberto Ferreira assumiu a Secretaria de Comunicação. No marketing, atuaram o gaúcho Paulo Heineker e os publicitários Glauco Lima, então na DC-3, e Francisco Cavalcante, da Vanguarda. Muitos também apontaram a comunicação como um dos pontos fracos da gestão de Ana Júlia.

Francisco Cavalcante, que foi grosseiramente escanteado pelo PT da governadora, disparou mísseis contra a baiana Link, que trabalhou na campanha de Ana Júlia em entrevista à repórter Rita Soares, criticando vários aspectos da condução do marketing, que nada fez para tentar diminuir a mastodôntica rejeição ao governo da companheira, mas esqueceu de dizer que essa rejeição só fez aumentar ao longo dos anos, diante da somatória de patetices do governo de 2007 para cá, e com a participação da Vanguarda.

Afinal, de quem foi a criação do slogan "Pará: Terra de Direitos", para um governo que reprimiu o direito de greve distribuindo "bordunadas" e spray de pimenta em professores públicos, bancários e servidores da saúde e do Detran, entre outros... "Terra de Direitos" para um governo que foi absolutamente incompetente na administração dos conflitos pela posse da terra, que sofreu ameaça de intervenção federal por não cumprir mandados de reintegração de posse, atropelando o Poder Judiciário, e muchas otras cositas más.

Também gostaria de saber quem foi o marqueteiro gênio da raça que, ao perceber que o Pará de Ana Julia está a anos-luz de ser Terra de Direitos e que o governo não tinha obras a exibir quase três anos depois de empossado, criou um novo slogan, quer deve ter achado magistral: "Nossa maior obra é cuidar das pessoas!" Outro tiro pela culatra.

Que governo é este que cuida das pessoas de modo mais estranho, deixando uma menina de 14 anos presa numa cela da delegacia de Abaetetuba durante três semanas, em que foi brutamente torturada e estuprada. E, ainda no caso, o delegado geral chegou a afirmar que a culpa era da menina. Por que não falar dos mais de 300 bebês mortos na Santa Casa de Misericórdia de Belém. Cuidou muito bem apenas dos apaniguados da DS e cia... E olhe lá!

Ao desancar a Link baiana, Cavalcante não faz justiça ao marketing do candidato vencedor, Simão Jatene, comandado pelo jornalista e publicitário Orly Bezerra, da Griffo Comunicação, e sua equipe de profissionais recrutada aqui mesmo no Pará.

Os programas eleitorais de Jatene colocaram, desde o primeiro turno, Ana Júlia na defensiva. Como rebater o "Dito e Feito" ou a acusação direta: Se o Lula ajudou, ela (Ana Júlia) atrapalhou! As imagens das obras executadas no governo Jatene - hospitais regionais, rodovias asfaltadas, Mangal das Garças, Hangar e etc... valeram mais do que as milhares de palavras dos marqueteiros baianos, encurralados pela inoperância de um governo que nada fez a não ser produzir factóides como o programa "Um bilhão de árvores", que virou piada entre os ambientalistas sérios deste pais.

Passei os últimos quatro anos acompanhando passo a passo todas as ações deste governo, desde a sua posse: escrevi sobre as nomeações da cabeleireira e da manicure como assessoras especiais da Governadoria do Estado. Ao longo do governo foram mais de duas mil nomeações.

Também escrevi sobre o convênio de R$ 3,4 millhões firmado entre o governo e o Aeroclube do Pará - presidido à época pelo namorado de Ana Júlia - para o treinamento de 14 pilotos de helicóptero - quando o estado tinha apenas um aparelho, que depois literalmente foi por água abaixo.

Denunciei a farra de dispensas de licitação pela Secretaria de Estado de Saúde para o Hospital Regional de Santarém, que resultou em ação civil pública por improbidade administrativa contra os gestores da Sespa; acompanhei o escândalo do superfaturamento de mais de R$ 7 milhões na aquisição de kits escolares.

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