quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O EXPERIMENTO

Por Ralph J. Hofmann

OpiniãoLivre.com.br

A partir do Manifesto Comunista o comunismo tornou-se uma teoria que procurava um laboratório para comprovar a veracidade da progressão de uma “Ditadura do Proletariado”, que seria um meio que levaria a uma sociedade sem classes, o socialismo na sua expressão absoluta em que tudo seriam flores e balas de alcaçuz.

Em 1917 os comunistas russos obtiveram este laboratório. De fato, um imenso laboratório. Um laboratório que estava em grande parte numa fase anterior à etapa da sociedade burguesa.

Enquanto o resto da Europa foi afetado pela Peste Negra, que valorizou o talento e a habilidade ao quebrar a lealdade mútua entre senhores feudais, que tendo perdido até um quarto de seus servos passaram a receber especialistas fugidos de outros feudos sem questionar suas origens. Assim surgiram os ferreiros, moleiros, arrieiros, flecheiros e tecelões que não estavam mais presos à terra, a um donatário, criando as bases para os empreendimentos independentes e o nascimento de uma classe empreendedora, os burgueses. A Rússia e os países e províncias do Leste Europeu ainda tinham, formalmente ou não um grande contingente de servos na virada do século XIX para o século XX.

Portanto os comunistas russos apenas tiveram de remover uma pequena camada de burgueses e nobres. Assim tinham a multidão de quase-escravos feudais à disposição para moldar. Coisa fácil. Mais demorada foi a extirpação dos Kulaks, os fazendeiros médios que exploravam 15% das terras agricultáveis da Rússia e eram responsáveis por 30% da produção agrícola. Solzhenitzin calcula que tenham sido exterminados 6 milhões de Kulaks, contudo outras fontes, analisando os dados existentes, calculam entre 1,8 a 2 milhões de mortos. Um número adicional, bastante alto foi enviado à Sibéria. Naturalmente a falta destes homens que sabiam produzir gerou vários períodos de fome e miséria. A Rússia nunca mais foi auto-suficiente em alimentos. Nas grandes coletivizações, o rebanho russo caiu em 25% apenas estabilizando nos níveis dos anos 20 na década de 50. Isto apesar de belos filmes mostrando as planícies do Ukraine sendo plantadas e ceifadas por alegres camponeses cantando a “Internacional”. Aliás, os Ukranianos plantavam e o governo confiscava a colheita, assim condenando milhões à morte pela fome.

Resolvidos estes pequenos problemas, removidos os sanguessugas da sociedade a Rússia tinha se tornado campo estéril, laboratório perfeito para o experimento comunista. A “Ditadura do Proletariado” se estendeu por 72 anos, vindo morrer à míngua. Não conseguia alimentar no povo nem melhorar seu nível de vida, nem proporcionar uma sociedade em que os homens fossem felizes. Infelizmente deixou saudades e carpideiras.

Essas carpideiras situam-se entre os que viviam bem por ter galgado posições na estrutura do partido, sem que se lhes cobrasse alguma competência em especial. Eram homens leais remunerados apenas por serem leais.

A Rússia, como o Lula em relação ao “Fome Zero” e outros programas, nem bem tinha tomado o poder e anunciou que o comunismo, a Ditadura do Proletariado, conseguira implantar o Paraíso na Terra. E partiu para exportar este Paraíso na Terra. Sobreveio uma Guerra Mundial e a Rússia, saiu de suas fronteiras à caça dos alemães invasores, e conseguiu implantar seu Paraíso em grande número de países, onde cada vez se raspou as camadas superiores da sociedade para criar o campo de trabalho/laboratório ideal para o experimento.

E o experimento foi para a China, e foi para a Coréia, e foi para o Vietname. E foi para Cuba.

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