sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Perguntem a Chávez e a Lula

Por Graça Salgueiro

Mídia Sem Máscara

Leio no site "Inforel" do dia 01 de outubro, que o senador Aloísio Mercadante (PT) apresentou um voto de censura ao acordo militar firmado entre a Colômbia e os Estados Unidos, alegando que o acordo foi celebrado "sem nenhuma consulta aos países da região". Segundo Mercadante, "No nosso entendimento, a imprescindível luta contra o narcotráfico não justifica essa escalada militarista na Colômbia, a qual poderá resultar na militarização de conflitos regionais e na geração de grande insegurança hemisférica, bem como num possível comprometimento dos processos de integração regionais". Tanto cinismo e hipocrisia soam até obscenos...

Que eu saiba, ninguém perguntou ao senador mas eu pergunto: e os acordos firmados entre Brasil e Rússia, Venezuela e Rússia, devem ficar longe não só do conhecimento do público mas também da "consulta" aos outros países da região? E por serem acordos entre a Rússia comunista de Putin e os países pertencentes ao Foro de São Paulo, isto lhes dá automaticamente imunidade para agir secreta e silenciosamente sem que nenhum bisbilhoteiro lhes peça satisfações?

Vamos aos fatos. No dia 30 de setembro de 2009 a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, da Câmara dos Deputados, aprovou o acordo de cooperação técnico-militar firmado entre Brasil e Rússia em novembro de 2008. O acordo visa a "incrementar a cooperação nos campos de pesquisa e desenvolvimento, apoio logístico, aquisição de produtos e serviços de defesa, treinamento profissional, intercâmbio de pessoal docente e discente, realização de visitas recíprocas e a realização de programas conjuntos". Fica estabelecido neste acordo que "nenhuma das partes, sem o prévio consentimento por escrito da outra, poderá vender ou transferir a terceiros os produtos de destinação militar, bem como as informações obtidas ou geradas através da cooperação". Quer dizer: tudo o que se fizer mediante este acordo, deverá permanecer em sigilo, sendo do conhecimento apenas das partes envolvidas, ou seja, Brasil e Rússia, e ninguém mais.

Agora vamos a Chávez. Em julho de 2008, Chávez ofereceu à Rússia o direito de erigir bases militares de apoio em seu território, quer dizer, da Venezuela, que ele trata como se fosse seu quintal e não do povo venezuelano inteiro. Na ocasião o diário moscovita "Izvestiya" assegurou que "a Força Aérea russa estuda transferir bombardeiros de longo alcance a Cuba em resposta ao sistema de defesa anti-mísseis que os Estados Unidos planejam instalar na Europa central". Imediatamente Chávez disse que a Venezuela estava tão bem posicionada quanto Cuba e acrescentou: "Içaremos as bandeiras, tocaremos os tambores e cantaremos canções porque será porque estão aqui os nossos aliados, com os quais nos une a mesma visão de mundo".

Vejam bem, tudo isto aconteceu em 2008, quando a Colômbia ainda não havia tratado de expandir seus acordos com os Estados Unidos, ou seja, tanto Lula quanto Chávez faziam seus acordos de cooperação militar com os russos e nenhum país vizinho foi informado ou consultado! Mas o cinismo e a hipocrisia desta gente não acabam por aí. No dia 17 de setembro, os ministros de Defesa da UNASUL reuniram-se em Quito, Equador, para debater a questão do que eles chamam "bases militares americanas" na Colômbia e alegaram que não se chegou a um consenso por causa da "intransigência de Uribe" em revelar a totalidade do acordo. Eles queriam ver o documento original, com todos os detalhes especificados ali. No dia 24 de setembro, 7 dias depois portanto, do encontro desses ministros, a Assembléia Nacional da Venezuela aprovou por maioria (pois 90% dos parlamentares são "bolivarianos"), à noite, um documento no qual decreta-se como secretos os acordos firmados entre Venezuela e Rússia, alegando que isto "nasce da necessidade de proteger todo tipo de informação classificada, que seja transmitida, recebida e gerada no desenvolvimento da cooperação técnico-militar bilateral". Esse acordo foi firmado em 15 de agosto, no entanto, no encontro da UNASUL em Bariloche, em 28 de agosto, lá estavam Lula e Chávez como donzelas ofendidas pedindo satisfações a Uribe que, cavalheiro e diplomático como só ele na região, dava-lhes explicações e pedia desculpas por "não tê-los consultado antes".

No dia 13 de setembro, Evo Morales anuncia a autorização de instalações militares russas em território boliviano, na cidade de Cochabamba, para as quais (não especifica quantas) a Federação Russa investirá dez milhões de dólares no funcionamento do novo centro de manutenção de sua Força Aérea no país sul-americano. Mas ele informou ou "consultou" seus vizinhos para tanto? Não, claro que não, e nenhum deles se queixou ou viu nisso qualquer ameaça! A única ameaça é a Colômbia, porque não pertence ao Foro de São Paulo!

Finalmente, no passado 19 de outubro o presidente Uribe esteve em visita ao Brasil num encontro na FIESP onde assinou vários acordos com Lula. Os acordos giraram em torno de ciência e tecnologia, cultura, educação e comércio. Nada se tratou acerca do combate ao narcotráfico e, dias depois, Marco Aurélio Garcia (MAG) deu uma declaração ao jornal "El Patagonico" dizendo que o Brasil "não vai mais pedir garantias à Colômbia pelo uso de suas bases militares por americanos" porque "confia na palavra de seu convidado". Ora, e o que o fez mudar tão radicalmente de opinião de uma hora para outra, sem ter visto o acordo?

A resposta parece óbvia. Estamos em ano pré-eleitoral e Lula quer emplacar sua candidata, a terrorista Dilma. Uribe conhece as relações FARC/PT reveladas pelos computadores de Raúl Reyes e John 40. Deve então ter havido um acordo entre os dois: Uribe não divulga o que sabe desses achados, e Lula deixa de pressionar pelo acordo Colômbia-USA. A diplomacia tem dessas coisas, que eu particularmente abomino, mas há muitos acordos comerciais entre o empresariado dos dois países que não podem ser prejudicados, pois se Uribe resolvesse jogar no ventilador o que sabe, isto fatalmente redundaria num rompimento de relações entre Brasil e Colômbia. Quanto ao cinismo de "seu" Mercadante, por que não exigir dele, também, explicações sobre os acordos feitos pelos seus camaradas do Foro de São Paulo?


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