sexta-feira, 9 de outubro de 2009

SABOTADORES

Por Ralph J. Hofmann



O MST ao atacar laranjais não apenas está reprisando a barbaridade cometida na Aracruz no Rio Grande do Sul. Está num contexto estranho de uma xenofobia que enfrentei na minha infância.

Meu pai veio ao Brasil como um dos administradores de uma firma familiar que produzia madeira compensada. Sua tecnologia era avançada. Tanto a fábrica alemã, tomada pelos nazistas na década de trinta, quando a família teve de fugir, quanto uma unidade na Inglaterra, haviam sido produtores de madeira para fins aeronavais. Ao vir para o Brasil à empresa trouxe uma fábrica completa, com todas as inovações tecnológicas e até nacionalizou o capital, ou seja, era uma firma brasileira com sócios residentes no exterior. Não se enquadrava na remessa de lucros ao exterior.

Qual a minha surpresa quando, na pré-adolescência me dei conta de que havia muita gente que considerava a empresa uma “exploradora” do país. Não obstante setecentos ou mais empregos ( distribuídos entre dois municípios, um de 20 mil habitantes e outro de 5 mil habitantes), pagamento rigorosamente pontual de salários (incomum para a época), a disseminação de tecnologia avançada (ex funcionários levavam informações para empresas locais o que melhorou a qualidade do produto brasileiro como um todo), a empresa era apontada como uma “sanguessuga”.

O motivo era que 25 ou 30% da produção era exportada. Isto muito antes da caça às exportações/divisas que começou após 1964. Ninguém criticava os exportadores de madeira serrada ou toras, que não agregavam mão de obra ou tecnologia ao produto. Criticavam esta empresa que exportava um produto acabado.

Na mesma época havia uma ciumeira com o progresso e pujança que os Argentinos haviam apresentado até então. Mas ninguém percebia que a Argentina era exportadora de cereais e grande exportador de carne. Os mesmos admiradores da Argentina criticavam os abatedouros brasileiros que exportavam. Diziam que a carne exportada era tirada das bocas dos brasileiros. E isto numa época em que a carne de gado, ao menos no sul, era baratíssima.

Passaram mais de 50 anos. O país se ufana de suas exportações. Os sucessivos governos promoveram com sucesso a caça de divisas pela exportação. As vantagens ao povo brasileiro só não foram maiores pela carga de impostos embutidos nos produtos brasileiros, pois as empresas brasileiras passaram a produzir a custos internacionais. Vinte anos atrás tomar sucos de laranja prontos em caixas ou garrafas era algo proibitivo.

Hoje compramos na quitanda da esquina quatro ou cinco sabores de sucos de frutas naturais a qualquer dia do ano. Antes só podiam os espremer os sucos das frutas que estivessem na temporada. E os preços hoje não são proibitivos, apesar de estarem onerados por impostos que são ridículos para produtos com vantagens nutricionais.

E o que vemos esta semana? Terrorismo econômico, sabotagem, se justificando novamente respaldado em argumentos xenofóbicos. Como no caso da Aracruz. Ninguém no MST deseja ver a quantidade de empregos no campo, empregos nos terminais de exportação, na cadeia de prosperidade espalhada pelo consumo de pessoas regularmente empregadas. Querem baderna para adquirir e manter o poder. Seus líderes querem acesso às fortunas extorquidas através das ONGs para viveram “vida de deputado”, “vida de senador”( que me desculpem os deputados ou senadores inocentes, que devem ainda existir).

Há vinte anos atrás o Brasil era o maior exportador de cacau do mundo. Terroristas ligados ao MST trataram de disseminar a “vassoura de bruxa”. Hoje o Brasil importa cacau. Mas tudo bem. O Grande Timoneiro Lula tem a solução. Podemos perder a produção de cacau. Podemos perder a produção de cítricos. O MST amanhã poderá invadir e desenraizar os cafezais, particularmente os cafezais de cepas especiais. Podem os perder a produção de papel e celulose. A fortuna do pré-sal tão decantada vai cobrir isto. Ou não? Todos sabemos que petróleo, diamantes, ouro não trazem prosperidade generalizada. Senão a Nigéria seria farol do mundo.

Quantos empregos promete o pré-sal? Qual será o custo do feijão produzido pelo MST? Quem pagará o feijão mais caro do MST? Os que compactuam com o MST hoje são sabotadores da indústria nacional. Traidores da pátria. Merecem ser condenados a longos anos de trabalhos forçados como seus amiguinhos da cortina de ferro faziam com seus inimigos. Será que a Rússia não nos arrenda uma mina de sal na Sibéria para fazer um campo de reeducação?

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