quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Antissemitismo revolucionário


Por Mary Anastasia O'Grady




David Romero Ellner, diretor executivo na Radio Globo, Honduras, disse, em 25 de setembro de 2009:


Às vezes me pergunto se Hitler não estava certo quando quis acabar com aquela raça, através do famoso Holocausto. Se há um povo nocivo a este país, são os judeus, os israelitas.


Eis um dos mais eloquentes defensores do retorno do presidente deposto Manuel Zelaya ao poder. Ele não é um típico locutor de rádio. Iniciou-se na política hondurenha como um ativista radical e foi um dos fundadores do partido de extrema esquerda Unión Revolucionaria del Pueblo, que nos anos 1980 foi ligado a terroristas hondurenhos. Há alguns anos, foi condenado e esteve preso por estuprar sua própria filha.


Hoje Romero Ellner é um puro zelayista, com sede de poder e nenhuma vergonha de dizê-lo. Assim se explica que tenha se associado ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e ao próprio Zelaya em seus ataques aos judeus. Chávez se aliou ao Irã para aumentar sua capacidade de governar incontido no hemisfério. Ele acolhe terroristas do Hezbollah e busca a ajuda iraniana para se tornar uma potência nuclear. Ele e seus acólitos reafirmam seus laços com o ditador iraniano Mahmoud Ahmadinejad ao ecoar sua retórica antissemita.


O debate de Honduras não é realmente sobre Honduras. É sobre a possibilidade de impedir o avanço do chavismo e todas as suas implicações, incluindo a proliferação de armas nucleares e do terrorismo na América Latina. Muito alarmante é o decidido respaldo a Zelaya que o presidente Barack Obama e o senador democrata John Kerry vêm dedicando a Zelaya — apesar de um informe da Biblioteca de Direito do Congresso demostrando que a remoção de Zelaya do cargo foi legal, e das claras evidências de que ele é o homem de Chávez em Tegucigalpa. Na quinta-feira, Kerry tomou o passo, sem precedentes, de tentar bloquear uma viagem do senador republicano Jim DeMint (que demonstra resistência aos esforços de Obama para restaurar o poder de Zelaya) a Honduras.


Zelaya, cabe lembrar, foi preso, deposto e deportado em 28 de junho porque violou a Constituição hondurenha. Ele voltou clandestinamente ao país em 21 de setembro e encontrou refúgio na embaixada brasileira na capital. A calúnia de Romero Ellner contra os judeus seguiu-se à alegação de Zelaya de que ele estava sendo "sujeito a radiação de alta frequência" vindo de fora da embaixada, e que achava que "mercenários israelitas" eram os responsáveis.


Um ataque verbal aos judeus proveniente de um zelayista é consistente com um padrão emergente na região. Tome o que vem acontecendo na Venezuela. Nos primeiros anos do governo de Chávez, um amigo venezuelano cristão me confessou seus medos. "Em seu discurso, ele sempre tenta criar ódio entre grupos de pessoas", disse ele. "Ele adora o discurso do ódio."


Por uma década, os venezuelanos receberam goela abaixo a visão do forte do nacionalismo econômico, combinada a uma linguagem divisionista. Os venezuelanos são encorajados a buscar vingança contra seus vizinhos. O crime disparou.


A comunidade judia vem se transformando em alvo à medida que progride a relação de Chávez com Ahmedinejad. Em 2004, relatei uma operação policial em uma escola para crianças judias em Caracas. O pretexto foi uma "pista" de que a escola estava armazenando armas. Nenhuma arma foi encontrada, mas a comunidade ficou aterrorizada.


Nos últimos anos, a Venezuela e o Irã firmaram projetos conjuntos de valor estimado em US$20 bilhões. Há pactos similares, estimados em US$10 bilhões, entre o Irã e a Bolívia, satélite da Venezuela. Ambos os países acusaram Israel de genocídio em Gaza em 2008 e cortaram laços diplomáticos. As tiradas de Chávez contra Israel nesse período encorajaram a ação de seus vândalos. Em janeiro de 2009, um templo em Caracas foi invadido e o espaço sagrado foi profanado com pichações instando a morte dos judeus.


Robert Morgenthau, promotor de Nova York, fez recentemente uma palestra na Brookings Institution na qual afirmou que "O Irã e a Venezuela já passaram na fase da corte. Sabe-se que estão criando uma confortável parceria financeira, política e militar, e que ambos os países têm fortes vínculos com o Hezbollah e o Hamas."


O Irã cortejou também Honduras. Quando Zelaya estava no poder, a imprensa hondurenha noticiou que a ministra do Exterior Patricia Rodas se reuniu com altos oficiais iranianos na Cidade do México, intrigando muitos na América Central.


Nem a Venezuela e nem Honduras têm qualquer histórico de antissemitismo. Mas, conforme Chávez importa a ideologia e os métodos desprezíveis de Ahmadinejad, um ataque à comunidade judia será uma das consequências.


Honduras reconhece que foi um erro deportar Zelaya depois que este foi preso. Mas argumenta que o medo do extremismo zelayista e o uso da violência como instrumento político nos meses anteriores a 28 de junho geraram um clima de desespero. Romero Ellner — cuja estação de rádio foi fechada pelo governo na semana passada — ofereceu, com seus comentários, a principal evidência. Se o Departamento de Estado americano se opõe ao exílio, que peça pelo julgamento de Zelaya, agora que ele se encontra em Honduras. Não há bases para exigir que um país democrático como Honduras restabeleça o poder de um arruaceiro antissemita.









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