terça-feira, 4 de agosto de 2009

Venezuela continua refém do presidente


Por Bruno Garschagen




O governo de Hugo Chávez fechou 34 emissoras de rádio na semana passada. Estão prestes a serem fechadas mais 206. Chávez diz que não fechou as emissoras, mas recuperou-as para o “povo” ao tomá-las da “burguesia”.


O diretor da Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel), Diosdado Cabello, foi mais longe ao ameaçar os empresários e todos os trabalhadores das emissoras, portanto, gente do povo:


“Senhores, tenham muito cuidado com o que fazem. Armaram um escândalo pelas primeiras 34 emissoras, um escândalo midiático, não nas ruas, pensando que o governo vai recuar. Não, camaradas. Nós seguimos adiante, aprofundando a revolução e não aceitamos nenhum tipo de chantagem”.


É a mentalidade revolucionária por excelência: a vítima é convertida no autor do crime e o criminoso se desloca para o papel de vítima; a verdade é acusada de falsidade, a mentira transformada em verdade.


E por quem dobram os sinos de Chávez? Não para o povo venezuelano. Nas empresas nacionalizadas explodem os conflitos trabalhistas porque os diretores nomeados pelo governo não conseguem cumprir as promessas feitas aos funcionários com o dinheiro da população que sustenta em parte tais empreendimentos. A informação é do empresário Guillermo Zuloaga, dono da Globovisión, a única TV independente que ainda resiste à pressão e violência do governo.


“Como as companhias estão todas fracassadas economicamente, eles agora não conseguem cumprir o que foi combinado. Também somos os únicos a entrevistar acadêmicos e pesquisadores que não compactuam com o governo”, disse Zuloaga numa entrevista à revista Veja desta semana.


Ontem, a sede da Globovisión foi invadida por um grupo armado que lançou no edifício bombas de gás lacrimogêneo ferindo uma policial e um segurança. Imagens do circuito interno de segurança mostram que um dos criminosos é Lina Ron, dirigente do partido UPV, um dos partidos de apoio ao governo Chávez.


Está cada dia mais difícil para os venezuelanos encontrar uma solução democrática para conter o presidente, que usa os instrumentos da democracia para solapá-la.


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